Não sou nenhuma especialista nem Phd. Não estou aqui para dar bons conselhos nem manual de instruções. São apenas relatos. Relatos de uma mente perturbada, mas que anseia pela felicidade como qualquer ser humano. Entre meus anseios de felicidade estava o de ser mãe. Como a maioria das mulheres sonhava com isso. E engravidei.Antes da gravidez eu já fazia tratamento para depresão, mas estava "bem". Nem tomava os remédios com a regularidade que devia (por isso eu achava que estava bem). Etão engravidei, parei com totalmente, sobrevivi, não tive depressão pós parto e achei que minha vida emocional e mental estava entrando nos eixos, quando dez meses depois do nascimento de meu filho veio outra crise, e outra melhora e outra crise. Enfim, pra encurtar a conversa, entre essas indas e vindas, só fui diagnosticada como bipolar no final do ano passado. Pra mim, foi um alívio e uma bomba. Alívio porque finalmente eu seria medicada corretamente. Bomba porque descobri que isso não tem cura, só controle.
Não dá pra fazer um compacto dos melhores (e piores) momentos em um só post. Além de enorme, o texto ficaria muito chato. Além do mais, estou no meio de mais uma crise depressiva, e sinceramente, não sei como estou escrevendo este texto. Meu maior desespero não é ser bipolar. É ser bipolar e mãe. Porque tudo o que eu sempre quis foi ser a melhor mãe do mundo, e agora me sinto o ser mais impotente e incopetente para cuidar de uma criança. Junto com isso vem um sentimento de culpa tão grande que minha cabeça quase explode. Fico pra morrer quando meu filho diz: Mamãe, vamos brincar? E eu não tô nem um pouco afim. Sempre quis estimular meu filho através de brincadeiras, atividades, e agora eu não tenho energia nem para mim. Dói no fundo do meu coração ver os brinquedos no quarto dele todos desorganizados e não ter ânimo para arrumar. Parafraseando Fernando Pessoa, parece que existe um vidro fino entre eu e a vida, por mais que eu tente, não consigo tocá-la, experimentá-la, vivê-la com toda intensidade que ela deve ser vivida.
A possibilidade da morte planejada para mim é nula. Vamos falar claramente no assunto, ok?! Em primeiro lugar porque eu não teria coragem de abandonar meu filho. Ele é o principal fio que me liga à vida. Sei também que há muitos entes queridos que sentiriam muito minha falta. Mas minha principal razão é meu filho. Além do mais, não sei se teria coragem de fazer isso de fato. Apesar de às vezes a angústia ser muito forte, minha fé ainda me salva. Ou o temor do que me espera caso eu mesma interrompa minha vida. Enfim, isso está fora de cogitação, deixemos bem claro. Eu quero viver, quero ter uma vida normal, cuidar do meu filho com todo amor e dedicação que ele merece. Amar meu marido com toda força do meu coração, cuidar da minha casa, sorver da vida todo o sabor que ela tem para oferecer. Eu quero.....Mas na atual expiral em que me encontro, não consigo ver saída, caminho, Não sei nem se quero sair de onde estou. Eu quero sabe, mas é que estou tão sem forças que parece que não quero. Se nem eu me entendo, não posso esperar que alguém entenda....
Olá! Sei bem como vc se sente.. Tenho 21 anos e fui diagnosticada bipolar ano passado, pouco antes de engravidar. Antes disso, fazia tratamento para transtorno borderline, desde 2007. Tô sem remédios desde abril, quando passei mal por causa de super dosagem de Clonazepam.
ResponderExcluirMês que vem completo um ano de casada e tenho uma menininha linda, Paula, de um mês e 7 dias.
Algumas vezes sinto um desânimo que toma conta de mim e dá a sensação de que não vou conseguir continuar a cuidar dela. Minha gravidez foi bem estressante, tive algumas dificuldades e precisei ficar longe do meu marido (parte de nossa casa alagou com as chuvas e passei dois meses na casa do meu pai), tive pré eclâmpsia e ainda não me recuperei completamente (minha visão foi afetada pelo aumento de pressão).. tem sido difícil, não sei como consigo encontrar forças pra continuar. Assim como vc, minha filha é minha maior motivação pra ir em frente. Por mais que eu me sinta fraca, angustiada, confusa, sei que ela precisa de mim e por isso tenho que me renovar a cada dia..